Restrição de Renda e Crédito de Alto Risco

Acredito que é possível tornar o estudo da crise econômica muito produtivo se tentarmos relacionar circunstâncias da conjuntura atual com aspectos teóricos  introdutórios das disciplinas de economia que leciono na Faculdade de Comunicação.

Aplicando noções de microeconomia à crise econômica de 2009 há uma forma interessante e resumida de explicar o descompasso de mercado (setor real do sistema econômico) gerado pela má informação emitida pelo subprime, ou crédito de alto risco.

Todos os manuais de economia apresentam uma teoria do consumidor onde são combinadas suas preferências de consumo e respectivas restrições de renda, o que nas palavras de Pindyck e Rubinfeld (2002) é definido como “escolhas do consumidor”:

 

“(…) Diante das preferências e das limitações da renda, os consumidores adquirirão as combinações de mercadorias que maximizam sua satisfação. Essas combinações dependerão dos preços de vários bens disponíveis. Assim, entender as escolhas do consumidor nos ajudará a compreender a demanda – isto é, como a quantidade de bens que o consumidores podem adquirir depende dos preços.(…) (Microeconomia, p. 62).

No que se refere à crise econômica atual, o que o trecho acima permite entender são os riscos provocados pelo crédito ilimitado, que ao mesmo tempo facilita o acesso aos bens e serviços, mas também gera uma conduta irracional dos consumidores, uma vez que os mesmos já não precisam restringir suas escolhas às suas limitações de renda.

Se o sistema de crédito desconsidera a restrição orçamentária daqueles aos quais oferece recursos financeiros, equivale dizer que o consumidor é levado a fazer escolhas muito além de sua capacidade de pagamento. Portanto tal tipo de crédito transmite uma informação assimétrica ao mercado de produtores, que será levado a ampliar a oferta de bens para atender uma demanda que efetivamente não tem condição de renda compatível com tal despesa ou investimento.

Considerando que os desejos são infinitos, os consumidores podem ser levados a escolhas de alto risco quando o crédito é oferecido de forma desregulada.

Para aprofundar este tema leia também a coluna de Luiz Gonzaga Belluzzo, publicada dia 03 de março de 2009, no jornal Valor Econômico: “Ascensão e queda da inflação de ativos”.

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Entre oito e oitenta

Pontos de vista diametralmente opostos  surgem em uma comparação entre a postura pública de ministros da área econômica dos Estados Unidos e do Brasil. Enquanto por aqui o otimismo chega as raias da imprudência, nos Estados Unidos, o pessimismo dos chefes do Tesouro e do Banco Central (Fed) atrapalham ainda que se pretendam realistas .

Entre estes extremos há de haver um ponto intermediário tanto afirmativo quanto responsável, posto que no caso do Brasil também está em jogo uma estabilidade macroeconômica que consumiu mais de uma década de sacrifícios e ajustes na política econômica. Nos  Estados Unidos não seria de todo ruim se as autoridades financeiras ecoassem com mais convicção o discurso de confiança de Barack Obama.

Abaixo trechos selecionados da crônica de hoje, 04/03/2009,  de Luiz Sérgio Guimarães,  para Valor Econômico ilustram este contraponto.

 Discursos dúbios suscitam volatilidade

Geithner

Geithner

“Os mercados globais tentaram genuinamente operar mais positivos ontem [03/03/2009], após as turbulências da véspera. Mas os dois principais chefes da economia dos EUA não deixaram. Tanto o secretário do Tesouro Timothy Geithner quanto o presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, capricharam no tom sombrio de suas advertências. O resultado foi muita volatilidade. Os especuladores não desgostam da volatilidade, já que amplia a chance (e o risco) dos ganhos. Mas, para os investidores em geral, ela pode ser mortal…

… os mercados voltaram a ficar preocupados depois de Bernanke e Geithner, em eventos distintos no Congresso , terem sinalizado que o montante total já aprovado de ajuda aos bancos, superior a US$ 700 bilhões, pode não ser suficiente para reerguer o sistema…

… Depois que o Fed anunciou seu plano destinado a incentivar o crédito ao consumidor – uma quantia entre US$ 200 bilhões e até US$ 1 trilhão será usada para comprar títulos lastreados nos empréstimos ao consumidor – a aversão global ao risco diminuiu um pouco…

Bernanke

Bernanke

… o presidente do Fed foi de uma franqueza alarmante em três aspectos cruciais – ao garantir que o sistema bancário dos EUA está longe de conhecer uma estabilização, que os indicadores recém-surgidos mostram sinais muito leves e inconclusivos de recuperação econômica e que será necessário agir mais agressivamente para resolver os problemas …

… O presidente americano Barack Obama tentou à tarde, em discurso em que exercitou de novo o seu ponto forte, o otimismo sincero, modular a entonação soturna empregada de manhã por Bernanke…

… Após encontro com Obama na Casa Branca, o primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, ajudou a espantar o pessimismo ao assegurar que “haverá uma grande mudança regulatória” e que um “new deal” global será possível nos próximos meses”.

Minuto da crise. Qual crise?!

Quando dentro do blog criei a página Minuto da Crise minha intenção era desenvolver um debate ainda que limitado sobre aspectos diversos da situação econômica mundial, especialmente quando relacionados ao conteúdo programático que pretendo aqui desenvolver.

Entretanto com o passar dos dias e dos comentários percebi um comportamento inesperado da parte de alguns leitores que me fez pensar melhor sobre o que me parecia óbvio: haver interesse pela reflexão relacionada à crise econômica mundial, assim como seus desdobramentos na economia brasileira.

Moradores de um país tropical ensolarado que somos, onde o samba é tradição assim como o futebol, o carnaval e outras formas de distração típicas, boa parte de nossa gente e da opinião pública portanto, prefere rechaçar todo pensamento ou situação que não possam ser transformados em prazer imediato.

 Com certa freqüência aos economistas é atribuído o papel de “trombeta do apocalipse”, profissionais da ciência lúgubre, sempre lembrando que nada é de graça, todo benefício tem custo e assim por diante.

Na conjuntura da crise atual, quando os economistas mais sensatos admitem não saber a extensão da crise ou se já passamos pelo pior ou se o fundo do poço ainda está por vir, agem baseados em décadas de leitura e observação de questões econômicas, ora retratando momentos de crescimento ora momentos de crise. Ou seja, as fases ruins intercalam as boas e fazem parte de um processo econômico secular. O ciclo econômico, marcado de expansão e de retração é antigo conhecido nosso, não começou agora nem termina aqui.

Particularmente eu considero sim que o Brasil dos dias de hoje tem condições melhores do que no passado para superar este momento difícil e acho até que podemos sair deste intervalo recessivo melhor do que entramos.

Entretanto acredito também que isto vai depender de analise, reflexão, esforço crítico e de atitudes muito mais do que de palavras de ordem, propaganda ou do poder do pensamento positivo.

É papel dos governantes emitirem sinais afirmativos a seus governados, mas no Brasil o clichê ufanista às vezes acaba por ofuscar boas oportunidades de aprendizagem e amadurecimento, que, se somados ao bom humor costumeiro da nossa gente só fariam aperfeiçoar o “jeitinho brasileiro” de ser, nos trazendo mais e melhores oportunidades.

Por tudo isso e em respeito ao bom hábito mineiro de contemporizar resolvi brincar também e no lugar de Minuto da Crise agora teremos Minuto da Crise. Qual Crise?!

WALL.E

Com base em longa experiência formei opinião de que educação econômica é fundamental seja para profissionais de comunicação, seja pra qualquer um.

Por outro lado sei que a lógica da economia é específica e não intuitiva, daí que precisa ser traduzida em “linguagem natural” para que as pessoas se interessem e aprendam.


Na imagem chamada Página 01 estão as notas da primeira aula da Unidade I do programa de
Economia e podem ser impressas com uma qualidade gráfica bastante razoável.
É um resumo do resumido, condensado e objetivo.

Um roteiro para o organização do cotidiano em sala de aula. Quase “pintura rupestre” que faço no quadro, alternando cores e rabiscos para explicar da forma mais concisa possível, os conceitos apresentados nos manuais e outros textos indicados na bibliografia da disciplina.

Trata-se de um eficiente recurso de concentração que utilizo para me auxiliar na construção dos raciocínios e que serve também de apoio aos estudantes, pois constitui um roteiro básico e agora digitalizado, dos principais conceitos do programa do curso.

 

walle-poster3

Dando sequência ao blog, como atividade complementar à discussão da Unidade I, estou indicando o filme WALL.E , animação da Disney e Pixar, como ilustração muitíssimo adequada para mais perspectivas sobre a natureza do fenômeno econômico (o objeto) e o princípio da escassez.  walle-retro5

No filme fica evidente que a humanidade alcançou uma  ordem de abundância que se mostrou insustentável e que acabou por reforçar o PRINCÍPIO DA ESCASSEZ (e o famoso “não há almoço grátis”).

Alguns comentários feitos pelos alunos serão avaliados e respondidos, de modo a dar repercussão ao assunto em pauta.

 Abraços.

 

                                                                                                

 

 

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Apresentação do Blog

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Queridos leitores, sejam bem vindos!

Minha principal ambição ao criar este blog é tratar economia de forma consistente porém simples, considerando que o conhecimento do tema é um importante acréscimo e de resto relevante por si só.

O que farei portanto é facilitar o acesso e a compreensão
de raciocínios básicos e noções elementares da macro e microeconomia,
 a partir de minha longa experiência no ensino do tema, sobretudo para
estudantes de Comunicação.

 

Meu propósito é combinar pedagogia, economia e noticiário econômico.
Considero ser capaz de fazê-lo em decorrência de uma feliz trajetória profissional como professora da PUC-Minas há cerca de vinte anos, desde sempre integrante do corpo docente da escola de Economia do Instituto de Ciências Econômicas e Gerenciais (ICEG), porém dedicada à Faculdade de Comunicação e Artes (FCA) da referida universidade.

No que se refere ao meu trabalho em sala de aula sou uma professora realizada.
Leciono por prazer e remuneração nas três habilitações da FCA, ou seja, nas graduações de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas.
Neste blog o eixo central dos comentários e posts será o programa de curso da disciplina Economia, segundo as anotações que improviso diariamente em sala de aula.

 

Tomarei como ponto de partida o acervo de notas do semestre passado (2o. de 2008),  na versão contida no  caderno de aula de Lorena Coelho.

Estudante de Relações Públicas, Lorena foi o primeiro retorno ao email de solicitação que enviei pedindo acesso aos cadernos completos ou quase completos mais recentes, contendo as ditas anotações.

Além desse há outros cadernos  igualmente completos, o que vai permitir variações na colaboração de fonte primária das notas de aula, criando assim um mecanismo novo e estimulante à participação dos estudantes .

Daí que o conteúdo do blog se destina especialmente aos meus alunos atuais e ex-alunos da FCA/PUC-Minas, e poderá ser aproveitado como estratégia didático-pedagógica complementar para os cursos sob minha responsabilidade .

Obrigada por sua atenção.